Segundo Arthur Waley, um dos mais importantes sinólogos ocidentais e autor de uma das mais conceituadas traduções para a língua inglesa do clássico taoista, o Tao Te Ching (na antiguidade chamado simplesmente o Lao-tse) é o livro mais traduzido no Ocidente depois da Bíblia, tendo sido realizadas, até a presente data, mais de duas mil versões.
Na China e no Japão, após estudar alguns paradoxos (kung-an), é impossível deixar de perceber a enorme influência que esse pequeno livro teve na formação filosófica da escola Ch’an (Zen) Budista, que no aspecto prático desenvolveu técnicas que induzem à quietude da mente e do coração. Já o Taoismo, que considera Lao-Tse o seu mentor, desenvolveu os capítulos místicos do Tao Te Ching, o que levou à criação da Alquimia Interior através de técnicas de manipulação da energia vital (ch'i) para prolongar a vida; e a Alquimia Exterior, a partir da transmutação do cinábrio em mercúrio, da qual resultaram as chamadas "pílulas da imortalidade".
No texto aqui apresentado foram comparadas mais de 30 das mais conceituadas traduções do Tao Te Ching, além de inúmeros comentários sobre o texto, tanto de comentaristas chineses como ocidentais, num trabalho de pesquisa que durou em torno de 14 anos.
A Alquimia Interior, da qual tratam vários capítulos do texto do Tao Te Ching, é um método desenvolvido para produzir o elixir da imortalidade. Esse método consiste, inicialmente, em esvaziar gradualmente a mente e o coração de palavras, ações e desejos, até alcançar o estado de quietude completa (hsu). O objetivo de esvaziar a mente e o coração das palavras(wu-ming), das ações (wu-wei) e dos desejos (wu-yu) é simplesmente deter o processo de esvaziamento da energia vital que exaure a vida e provoca a morte. Esse método passa, naturalmente, pelos três estágios necessários para alcançar o domínio de qualquer disciplina: 1) entendimento; 2) conscientização; e 3) prática. Uma vez alcançado o estagio da prática permanente dos fundamentos e das técnicas da Alquimia Interior, o alquimista estará apto para iniciar o processo de purificação e sublimação da energia vital (ch'i) através de técnicas de respiração cujo resultado será a destilação do elixir da imortalidade.
O periódico retiro numa gruta ou caverna numa montanha também é recomendado como forma de retornar à origem e entrar em sintonia com as forças primárias da natureza, tal como faziam os antigos mestres Taoistas - não foi por acaso que, segundo a tradição, Lao-Tse montou num búfalo e se perdeu nas montanhas sem que nunca ninguém soubesse mais nada dele.
A pura e simples prática da meditação pode ser um meio de alcançar , momentaneamente, à quietude da mente. Mas não é a Alquimia Interior. Apenas a prática permanente e o conhecimento profundo dos três princípios de Lao-Tse (wu-ming, wu-wei e wu-yu), até incorporá-los ao subconsciente, possibilitará a detenção do processo de esgotamento da energia vital (ch'i) que exaure a vida. Só a partir desse momento dar-se à ao inicio da Alquimia Interior e o processo de destilação do elixir da imortalidade. O método de destilação do elixir da imortalidade (Hsin Ming Fa Chueh Ming Chih ou Os Segredos do Cultivo da Essência da Natureza e da Vida Eterna) será o tema do próximo blog, ainda em construção.
Rio de Janeiro,
15 de Dezembro de 2005
Wu-ming
Nenhum comentário:
Postar um comentário